A alma por essência se expressa de forma simbólica e ela tem muito a expressar. Como seres humanos navegamos um fluxo constante de mudanças, de processos fisiológicos e psíquicos, espirituais e materiais de tal forma que produzimos até mesmo rituais para expressar nossas vivências. A união romântica pode tomar forma nos rituais de casamento, a passagem para a vida adulta pode ser expressa por uma peregrinação ou viagem em que se parte como uma criança e se retorna como um adulto e assim damos representação para algo que também vivemos internamente. Quando uma transformação ou vivência importante não encontra forma de se expressar ou é barrada de alguma forma o sujeito fica como que encarcerado em seus afetos e aí vem a depressão.
A depressão costuma indicar que há uma estrutura da vida cuja falta de espaço não dá conta do sujeito. Pode ser uma crença do próprio adoecido que o impede de entrar em contato com esta parte de si, ou ainda uma cultura na qual certos aspectos da experiência humana não são bem-vistos e se tornam preconceitos e tabus. Esta é uma doença que empurra o sujeito para dentro de si mesmo e o convida a refletir sobre quem é, quem gostaria de ser, o que quer da vida, onde e se há sentido em viver. A psicoterapia, mais uma vez, pode aproveitar esse movimento provocado naturalmente pelo organismo do paciente para gerar autoconhecimento, diálogo e enfrentamento das questões propostas pela doença para que ela possa cumprir sua função de trazê-lo de volta ao equilíbrio e liberdade.
Alguns dos sintomas depressivos possíveis são: alterações de peso, irritabilidade, perda da capacidade de atenção, sono excessivo ou insuficiente, perda de vontade e motivação, perda de memória, lentidão do pensamento, da fala e do movimento.
